É a pergunta que quase todo mundo faz na primeira consulta, e é compreensível: quem convive com um barulho constante quer saber se um dia ele vai embora. A resposta honesta não cabe em um sim ou um não. Ela depende de uma coisa: de onde vem o seu zumbido.

Por que a resposta depende da causa

O zumbido é um sintoma, não uma doença única. Ele pode nascer de uma cera acumulada, de uma inflamação, de uma alteração na mandíbula, de um remédio, da circulação, de uma perda auditiva. Cada origem tem um caminho diferente. Por isso, falar em "cura do zumbido" sem investigar é como falar em "cura da febre" sem saber o que está causando a febre.

Quando o zumbido pode desaparecer

Há situações em que, tratada a causa, o zumbido diminui bastante ou some:

  • Cera acumulada, que pode ser removida no consultório.
  • Otites e inflamações do canal do ouvido ou do ouvido médio.
  • Alterações da tuba auditiva, muitas vezes ligadas a rinite e congestão nasal.
  • Medicamentos que provocam zumbido, quando é possível ajustar com o médico que os prescreveu.
  • Problemas na articulação da mandíbula e tensão muscular, com o tratamento adequado.
  • Algumas alterações de circulação e pressão, principalmente no zumbido que pulsa.
  • Zumbido depois de exposição a barulho, que muitas vezes melhora nos dias seguintes, desde que o ouvido seja poupado.

Quando o zumbido persiste

Quando o zumbido está ligado a uma perda auditiva de longa data, nem sempre é possível fazê-lo desaparecer. Mas isso é muito diferente de dizer que "não tem o que fazer". Nesses casos, o objetivo passa a ser outro, e é um objetivo alcançável: fazer o zumbido deixar de ocupar o centro do dia.

O cérebro tem uma capacidade chamada habituação. É a mesma que faz você deixar de perceber o barulho da geladeira ou do trânsito depois de um tempo. Com o tratamento certo, o zumbido pode ficar em segundo plano, aparecer menos, incomodar menos e deixar de atrapalhar o sono e o humor.

O que costuma ajudar

  • Tratar a perda auditiva, quando ela existe. Em muitas pessoas, o aparelho auditivo reduz a percepção do zumbido porque devolve ao cérebro os sons que faltavam.
  • Terapia sonora e enriquecimento sonoro, que usam sons suaves para diminuir o contraste entre o zumbido e o silêncio.
  • Terapia cognitivo-comportamental, que tem boa evidência para reduzir o sofrimento causado pelo zumbido, mesmo quando o som continua.
  • Cuidar do sono, investigando ronco e apneia quando há sinais, porque noites ruins aumentam a percepção do zumbido.
  • Olhar para a pressão, o metabolismo e a mandíbula, que podem piorar o quadro.
  • Reduzir o estresse, que aumenta o volume do incômodo.

Cada pessoa tem a sua combinação, e o plano é ajustado a cada retorno.

Por que desconfiar de cura rápida

O zumbido atrai muitas promessas: cápsulas, gotas, chás, aparelhos milagrosos, "protocolos" que garantem silêncio em poucos dias. Nenhum remédio ou suplemento isolado tem evidência de acabar com o zumbido de forma geral, justamente porque as causas são muitas. Além do gasto, essas promessas atrasam a investigação daquilo que pode ser tratado.

Desconfie de quem promete resultado antes de investigar. Ninguém honesto promete silêncio sem saber de onde o som vem.

O que você pode fazer hoje

  • Evite o silêncio absoluto, principalmente à noite.
  • Proteja os ouvidos do barulho alto.
  • Observe o que piora, como café em excesso, noites mal dormidas e períodos de estresse.
  • Não use remédios por conta própria para o zumbido.

O primeiro passo é entender

Se você já ouviu que teria que aprender a conviver com o zumbido, saiba que conviver pode significar coisas muito diferentes. Conviver com um som que decide o seu dia é uma coisa. Conviver com um som que ficou em segundo plano é outra.

Em Sorocaba, o Dr. Emerson Marchetti, otorrinolaringologista, atende pessoas com zumbido com esse objetivo: entender a origem, tratar o que é tratável e cuidar da qualidade de vida. Veja como é a investigação.