Zumbido
Zumbido no ouvido pode ser emocional? O papel da ansiedade e do estresse
Ansiedade e estresse raramente criam o zumbido sozinhos, mas aumentam muito o incômodo. Entenda essa relação, o ciclo que se forma e o que ajuda a quebrá-lo.
"Deve ser nervoso." Muita gente com zumbido já ouviu essa frase, às vezes de amigos, às vezes em consultas. E muita gente percebe mesmo que o zumbido piora nas semanas mais difíceis. Então, o zumbido pode ser emocional? A resposta tem duas partes, e as duas importam.
O que a ansiedade faz com o zumbido
Na maior parte das pessoas, ansiedade e estresse não são a causa única do zumbido. O som costuma ter uma origem no sistema auditivo ou em volta dele, como uma perda auditiva, a mandíbula, a circulação ou o sono. O que as emoções fazem é outra coisa, e muito relevante: elas aumentam o volume do incômodo.
O cérebro decide o que merece atenção. Quando estamos em alerta, ele passa a tratar o zumbido como um sinal de perigo, presta mais atenção nele e o torna mais presente. Por isso o mesmo som pode ser quase imperceptível num dia tranquilo e insuportável numa semana de pressão.
O ciclo que se forma
O zumbido incomoda, o incômodo gera ansiedade, a ansiedade deixa o cérebro mais atento ao zumbido, e o zumbido parece mais alto. À noite, o ciclo ganha força: no silêncio, o som aparece, o sono demora, o cansaço do dia seguinte aumenta a irritação e a sensibilidade.
Esse ciclo explica por que tanta gente sente que o zumbido "piorou do nada". Muitas vezes o som é o mesmo. O que mudou foi o estado de alerta.
Então não é emocional?
Dizer que o zumbido é "só emocional" sem investigar é um erro, porque pode deixar de lado causas tratáveis, como uma perda auditiva, cera, alterações da mandíbula ou da pressão. Mas ignorar o papel das emoções também é um erro, porque elas pesam muito na forma como o zumbido é vivido.
O caminho equilibrado é investigar a origem do som e, ao mesmo tempo, cuidar do que amplifica o incômodo.
Sinais de que o emocional está pesando
- O zumbido piora em períodos de estresse e melhora nas férias ou nos fins de semana tranquilos.
- Você pensa no zumbido boa parte do dia e confere se ele ainda está lá.
- O sono ficou ruim, e a noite virou o pior momento.
- Aparecem irritação, dificuldade de concentração e desânimo ligados ao zumbido.
- Existe medo de que o zumbido signifique algo grave, mesmo depois de avaliações.
O que ajuda a quebrar o ciclo
- Investigar e entender a causa. Saber de onde vem o som reduz o medo, e o medo é um dos combustíveis do ciclo.
- Terapia cognitivo-comportamental, que tem boa evidência para reduzir o sofrimento causado pelo zumbido, mesmo quando o som continua.
- Cuidar do sono, com horários regulares, som de fundo suave à noite e investigação de ronco e apneia quando há sinais.
- Atividade física regular, que ajuda a baixar o estado de alerta.
- Reduzir café e álcool em excesso, que em algumas pessoas pioram a percepção.
- Não passar o dia no silêncio absoluto, que deixa o zumbido em evidência.
Em alguns casos, o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico faz parte do cuidado. Isso não significa que o zumbido é "coisa da cabeça". Significa cuidar de tudo o que ele está fazendo com você.
O zumbido é real, mesmo quando ninguém mais escuta
Quem convive com zumbido muitas vezes se sente sozinho, porque o som não aparece para ninguém além de si. O incômodo é real, e merece ser levado a sério nas duas frentes: a origem do som e o impacto que ele tem na sua vida.
Em Sorocaba, o Dr. Emerson Marchetti, otorrinolaringologista, atende pessoas com zumbido com esse olhar para a pessoa inteira: o ouvido, o sono, o corpo e a rotina. Veja se você se reconhece.
Perguntas frequentes
Zumbido no ouvido pode ser causado por ansiedade?
Na maioria das pessoas a ansiedade não é a causa única do zumbido, mas aumenta muito o incômodo. Ela deixa o cérebro mais atento ao som, que parece mais alto. Por isso é importante investigar a origem do zumbido e também cuidar do que amplifica o incômodo.
Por que o zumbido piora quando estou estressado?
Em estado de alerta, o cérebro passa a tratar o zumbido como um sinal importante e presta mais atenção nele. O som pode ser o mesmo, mas é percebido como mais alto e mais incômodo, principalmente à noite.
Zumbido por estresse tem cura?
Quando o estresse está aumentando o incômodo, reduzir o estado de alerta costuma melhorar bastante a percepção do zumbido. Mas é preciso investigar a origem do som, porque ele costuma ter uma causa no ouvido ou em volta dele.
Terapia ajuda no zumbido?
A terapia cognitivo-comportamental tem boa evidência para reduzir o sofrimento causado pelo zumbido, mesmo quando o som continua. Ela ajuda a quebrar o ciclo entre zumbido, ansiedade e atenção ao som.
O zumbido atrapalha o sono. O que fazer?
Manter horários regulares, usar um som de fundo suave à noite e evitar café no fim do dia ajudam. Se houver ronco, pausas na respiração ou cansaço ao acordar, vale investigar apneia, que piora o zumbido.
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